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| fotografia de Alessandro Del Arno |
Pois bem, a tatuagem do dente-de-leão expressa muita coisa, mas principalmente a inevitabilidade da mudança. Neste momento me vem na cabeça a música de Hyldon que diz: é preciso ter coragem para se libertar, viver, amar. Para mim, coragem é o antídoto do medo e o medo, o antônimo do amor. Foi num movimento de profundo amor por mim mesma que decidi empreender um processo de mudança que se iniciou há cerca de dois anos e permanece em curso.
Mudanças são reverberações da vida acontecendo. É impossível conter o fluxo e a natureza nos mostra isso todo o tempo. O dente-de-leão é uma flor muito metafórica. Muitas pessoas não a conhecem antes que se torne como essa imagem que tenho tatuada em meu braço. Mas ela começa como uma flor que pode se manifestar de diversos tamanhos e cores, como azul ou púrpura, sendo a mais comum amarela. Depois ela fenece, seca e "morre", dando lugar a outra flor que é a sua forma mais conhecida: essa formada por diversos frutos que trazem sementes. Em determinada fase, quando a flor é soprada, se desfaz facilmente. Suas sementes são levadas pelo vendo e se espalham e, no período certo, florescem novamente. E sua engenharia é realmente impressionante. Para que esse processo se dê, a flor abre, fecha e abre novamente (veja no vídeo de Neil Bromhall). Ela sai de uma forma consistente e exuberante e passa a uma outra, mais leve e sutil. Umas das experiências mais graciosas de minha vida foi ser presenteada com uma chuva de sementes de dente-de-leão ao vento. Elas são como um corpo de baile em sincronia numa sinfônica (eu não pude registrar, mas você pode conferir no vídeo de Artur e Saturnina Horman). Penso que somos um pouco como essas sementes, dançando no campo, solitários, em pares ou em grupos, mas todos partes de uma matriz única. Semeando realidades.
Time Lapse - Neil Bromhall
from movie Land of aThousand Storks

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