Helena Almeida – Conversa na 28ª. Bienal de São Paulo (29/10/2008)
“Na minha obra não há distinção entre corpo do artista e corpo da obra. No cinema, eu sempre apreciei as fotografias dos filmes e pensava no mistério das personagens, o que teriam de dizer umas as outras. Quando olhava pinturas, pensava o que havia por trás delas, o que estava acontecendo enquanto o artista pintava, o que havia em volta dele. Lúcio Fontana cortava a tela e havia ali atrás um espaço, um obscuro, um mistério para além. Lucio Fontana foi decisivo, não há outra palavra para descrever. Decisivo. E eu quis indicar às pessoas que existe um mistério ali em volta. No meu trabalho, o que ficavam das ações eram registros fantásticos. Quando via as fotografias, sentia a intensidade do momento, ali estava o que havia antes e depois do momento, a vida... a morte... Nunca quis grande coisa da fotografia, estou à vontade com ela. Com elas, não tinha de justificar ou explicar nada, a pintura era eu. Eu sou a pintura. A linha, o desenho e a pintura estão em mim. Este corpo não é ideológico, é um corpo que contém tudo. Sentia que podia dar toda a emoção e relação com o espaço e a pintura com meu corpo. Não preciso de mais nada, tenho tudo o que preciso. Quando escolho uma coisa é porque não pode ser outra. Às vezes arquitetura e teatro me emocionam mais que o trabalho de alguns colegas artistas...”
http://www.artnet.com/artist/107524/helena-almeida.html
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