quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Viver Paulista

Avenida Paulista - foto de Malu Aguiar
Viver na Paulista é estar no meio de uma torre de Babel; respirar gás carbônico e expirar os detritos nos respiros entre edifícios. A avenida de todas as línguas e 'sutaques', de todos os dialetos e todos os instrumentos; a avenida das jovens executivas se equilibrando em seus sapatos novos altos, muito altos, bicos apontados para a frente ou para os lados, ou quase se bicando no meio. A avenida das gravatas e ternos, dos negócios, do consumo consumo consumo e do trabalho trabalho trabalho. A avenida do dinheiro e das causas. Só a Paulista nos surpreende com um fogo na calçada em forma de uma mulher de cabelos longas labaredas e vestido comprido amarelo cor do sol escaldante do meio-dia entre paredes cinzentas. Só na Paulista vemos um desfile de desenhos sobre a pele, todas as tribos, para todos os gostos. A avenida dos milhares de sabores de cozinhas do mundo todo, das pracinhas e da fonte na praçona, dos sorvetes de casquinha - após o almoço, dos cafés americanos em grandes copos, do yakissoba. A avenida dos skatistas; dos hippies atemporais; dos músicos. A avenida do artista. Há pressa na Paulista, se apressa na Paulista, a pressa dos pedestres, dos motoristas, dos ciclistas. Contra a demora do bêbado e do equilibrista. Ser na Paulista é um viver paulista. É a avenida das galerias, do Museu e dos bancos, das greves intermináveis e das passeatas cambiáveis - da marcha a favor da maconha e da marcha contra a marcha a favor da maconha e onde a maconha marcha, solta. A Paulista é dos empreendimentos e, cada vez mais, dos shoppings e lojas de departamento. A Paulista dos cinemas (e das farmácias shoppings) é também a avenida do Papai Noel e do Réveillon, da São Silvestre e da Parada Gay. A Paulista é nosso chão de cimento e nosso céu de amianto. É onde nos encontramos para divagar na escadaria ou matar o tempo na livraria, tomar um café no bar, caipirinha no bistrô e a cerveja em qualquer lugar. A Paulista é 'o' lugar e lugar algum. É o lugar nenhum onde eu amo ficar e fico a amar.

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